Bom amor
Eu estava andado pela
rua e der repente, senti um mal estar. Parei de andar e sentei. Apenas fiquei
ali por um tempo, mas vi uma cena inesquecível:
“- Não me olhe desse
jeito. Você não tem o direito de me olhar assim. Seu traidor. – Disse uma
menina loira de cabelos compridos ao rapaz alto e branco.
- Mas, amor...
- Não me chame assim. Eu
nunca mais quero ouvir você me chamar assim. Na verdade, eu nunca mais quero
que você dirija a palavra a mim. Ouviu bem?
- Não fale assim... –
Ele me pareceu tão triste que fiquei até com pena daquele garoto alto, branco
de olhos castanhos. – Você sabe que eu não fiz por mal. Eu só não achei um
jeito de te contar, mas eu juro que eu queria, mas também, eu sabia que ia te
magoar. Eu só fiquei com medo.
- Se você tivesse me
contado assim que soube isso agora não estaria acontecendo, mas não, você
prefere nunca se arriscar. Você sempre tem que ficar bem com todo mundo e não
importa o quanto isso me afeta. – Disse ela segurando o choro.
- Você está levando as
coisas para outro lado, Ângela. Ele é seu pai, como eu poderia não ter medo de
te magoar contando isso?
- E ela é minha mãe.
Você acha que ela merecia isso? Ainda mais desse jeito... Não importa! Eu estou
magoada de qualquer jeito. Apenas me deixe! – Ela já estava o empurrando quando
ele, não sei de onde arrumou forças para dizer mesmo chorando:
- Eu prometi que nunca
te deixaria, lembra? Você é minha vida. É tudo o que eu tenho. Talvez você nem
imagine o quanto eu te amo, mas eu te amo mais que tudo. Eu morreria por você.
Eu faria qualquer coisa para te ver feliz. Eu juro, eu juro que se eu pudesse
voltar no tempo eu te contaria tudo o que eu vi naquela noite sem pensar duas
vezes. Mas, amor, foi ele que fez isso. Não eu, então, por favor, não me
castigue por isso, porque eu nunca te faria o mesmo. Você é a única coisa que
me importa. – Então ele a abraçou e ela simplesmente começou a chorar.”
Não sei se eles me
viram... provavelmente não, mais o que eu vi me afetou tanto que eu apenas levantei
e saí correndo em direção ao orelhão. Disquei o numero dele o mais rápido que
pude. Quando ele atendeu e estava quase sem voz de tanto nervoso:
“- Alô? – Eu não
consegui responder da primeira vez. - Alô?
- Oi! – Disse com voz
tremula.
- Aconteceu alguma
coisa? Porque o numero que apareceu no identificador de chamadas é de um orelhão?
Você está bem? – Ele estava tão preocupado que eu percebi que ele não estava
com raiva.
- Eu estou bem, quer
dizer... – Uma pausa. – Desculpa! Desculpa por tudo. Por todas as brigas que eu
comecei, por todas as vezes em que fui grossa e fria, pelas vezes que eu não me
importei ou que eu não ouvi. Me desculpa por duvidar do seu amor, da sua
lealdade, me desculpa por ser tão complicada, tão boba e por causar tantos
problemas. Eu sei que nem sempre eu sou o que você queria, mas... – Ele me interrompeu.
Ele sempre me interrompe.
- Tá louca? Como assim
você não é o que eu queria? Eu sempre soube desse seu jeito sem jeito e sempre
te amei com todos os seus defeitos, porque eu gosto dos seus defeitos, na
verdade eu amo tudo em você. - Ele estava com uma sinceridade na voz que me enlouqueceu.
- Eu sei! É só que eu
sou tão bagunçada que às vezes eu sinto que te atrapalho. Quer dizer você
poderia estar com uma bem melhor. Bem mais perfeita.
- Anjo, você é mais que
perfeita. Você é tudo o que eu preciso, é até muito mais. Eu esperei tanto por
alguém como você. – Uma pausa. Eu não sabia o que dizer. Ele simplesmente me
fez entender o que isso significa.
- Anjo, volta para casa.
– Uma voz pidona encheu o telefone quebrando o silêncio. Eu não teria nem como
não voltar. Voltar era tudo o que eu queria nesse momento.
- Eu estou a duas
esquinas. Já chego aí.
- Estou te esperando com
o seu filme favorito e chocolate.”
Beijos da Letícia

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