quinta-feira, 1 de março de 2012

"Go back baby before it's too late."


Bom amor

Eu estava andado pela rua e der repente, senti um mal estar. Parei de andar e sentei. Apenas fiquei ali por um tempo, mas vi uma cena inesquecível:
“- Não me olhe desse jeito. Você não tem o direito de me olhar assim. Seu traidor. – Disse uma menina loira de cabelos compridos ao rapaz alto e branco.
- Mas, amor...
- Não me chame assim. Eu nunca mais quero ouvir você me chamar assim. Na verdade, eu nunca mais quero que você dirija a palavra a mim. Ouviu bem?
- Não fale assim... – Ele me pareceu tão triste que fiquei até com pena daquele garoto alto, branco de olhos castanhos. – Você sabe que eu não fiz por mal. Eu só não achei um jeito de te contar, mas eu juro que eu queria, mas também, eu sabia que ia te magoar. Eu só fiquei com medo.
- Se você tivesse me contado assim que soube isso agora não estaria acontecendo, mas não, você prefere nunca se arriscar. Você sempre tem que ficar bem com todo mundo e não importa o quanto isso me afeta. – Disse ela segurando o choro.
- Você está levando as coisas para outro lado, Ângela. Ele é seu pai, como eu poderia não ter medo de te magoar contando isso?
- E ela é minha mãe. Você acha que ela merecia isso? Ainda mais desse jeito... Não importa! Eu estou magoada de qualquer jeito. Apenas me deixe! – Ela já estava o empurrando quando ele, não sei de onde arrumou forças para dizer mesmo chorando:
- Eu prometi que nunca te deixaria, lembra? Você é minha vida. É tudo o que eu tenho. Talvez você nem imagine o quanto eu te amo, mas eu te amo mais que tudo. Eu morreria por você. Eu faria qualquer coisa para te ver feliz. Eu juro, eu juro que se eu pudesse voltar no tempo eu te contaria tudo o que eu vi naquela noite sem pensar duas vezes. Mas, amor, foi ele que fez isso. Não eu, então, por favor, não me castigue por isso, porque eu nunca te faria o mesmo. Você é a única coisa que me importa. – Então ele a abraçou e ela simplesmente começou a chorar.”

Não sei se eles me viram... provavelmente não, mais o que eu vi me afetou tanto que eu apenas levantei e saí correndo em direção ao orelhão. Disquei o numero dele o mais rápido que pude. Quando ele atendeu e estava quase sem voz de tanto nervoso:
“- Alô? – Eu não consegui responder da primeira vez. - Alô?
- Oi! – Disse com voz tremula.
- Aconteceu alguma coisa? Porque o numero que apareceu no identificador de chamadas é de um orelhão? Você está bem? – Ele estava tão preocupado que eu percebi que ele não estava com raiva.
- Eu estou bem, quer dizer... – Uma pausa. – Desculpa! Desculpa por tudo. Por todas as brigas que eu comecei, por todas as vezes em que fui grossa e fria, pelas vezes que eu não me importei ou que eu não ouvi. Me desculpa por duvidar do seu amor, da sua lealdade, me desculpa por ser tão complicada, tão boba e por causar tantos problemas. Eu sei que nem sempre eu sou o que você queria, mas... – Ele me interrompeu. Ele sempre me interrompe.
- Tá louca? Como assim você não é o que eu queria? Eu sempre soube desse seu jeito sem jeito e sempre te amei com todos os seus defeitos, porque eu gosto dos seus defeitos, na verdade eu amo tudo em você. - Ele estava com uma sinceridade na voz que me enlouqueceu.
- Eu sei! É só que eu sou tão bagunçada que às vezes eu sinto que te atrapalho. Quer dizer você poderia estar com uma bem melhor. Bem mais perfeita.
- Anjo, você é mais que perfeita. Você é tudo o que eu preciso, é até muito mais. Eu esperei tanto por alguém como você. – Uma pausa. Eu não sabia o que dizer. Ele simplesmente me fez entender o que isso significa.
- Anjo, volta para casa. – Uma voz pidona encheu o telefone quebrando o silêncio. Eu não teria nem como não voltar. Voltar era tudo o que eu queria nesse momento.
- Eu estou a duas esquinas. Já chego aí.
- Estou te esperando com o seu filme favorito e chocolate.”
Beijos da Letícia

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