Existir
Seus olhos me atravessam. Deus! Acho que estou me tornando cada vez mais transparente. Suas mãos não me tocam. Ele não sente os meus lábios nem o meu corpo contra o dele. Deus! Estou deixando de existir.
Agora, o medo toma conta de mim. Eu ficarei sozinha? É isso? Eu simplesmente não existo?
Estávamos na estrada. Voltávamos do cinema e ele estava dirigindo. Uma luz ofuscou nossos olhos. Eu me lembro de ser socorrida por um homem moreno, alto e medianamente forte. Lembro-me de vê-lo consciente, mas ele estava machucado. O homem que dirigia o outro carro estava bem, bêbado, mas bem. Não consegui manter os olhos abertos por muito tempo, mas eu podia ouvir todos a minha volta. Sei que cheguei até o hospital, daí a memória falha. Eu não me lembro mais que isso... Deus! Eu estou morta?! Eu morri?
Bem, a morte é tranquila. Solitária, mas é de uma enorme paz...
Três dias se passaram. Estou parada onde meu corpo foi enterrado. Ele está com flores na mão... Tem tanta coisa que eu queria dizer a ele. Queria dizê-lo que o amo, que quero que ele seja muito feliz, tenha filhos lindos, tão lindos quanto ele. Queria pedir que ele não me esquecesse, porque ele é tudo que eu tenho agora.
Beijos da Letícia

Nenhum comentário:
Postar um comentário